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Prefeitura diz que a pastilha de cobalto está ultrapassada

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

A pastilha de cobalto recebida por meio de doação pela Santa Casa de Sorocaba, em fevereiro deste ano, é "desatualizada para o tipo de atendimento que é oferecido atualmente", de acordo com a Prefeitura de Sorocaba. O município afirma que a pastilha e a máquina de radioterapia doados ao hospital têm "tecnologia ultrapassada, não adequada para atendimento aos pacientes com câncer da cidade". De acordo com a Prefeitura, em vez de colocar em operação esse equipamento, optou-se pela contratação de um serviço "adequado e atualizado", e que realiza os trâmites para iniciar os serviços.

No entanto, na época da doação, a Irmandade Santa Casa de Sorocaba -- que geria o hospital -- dizia que a pastilha tinha a capacidade para ainda aproximadamente quatro anos de utilização e que foi doada junto com o equipamento a que era compatível -- sendo que este teria dez anos de uso. Após a doação, a gestão da época falava em esperar apenas os trâmites da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), que autorizaria a ativação do equipamento.

Em 24 de abril, a Prefeitura determinou a requisição do hospital, que passou a gerir. Em 9 de junho, o município anunciou a assinatura de um contrato com uma empresa particular, a Nucleon, pelo qual o serviço de radioterapia seria retomado em aproximadamente 15 dias. O serviço teria como valor teto R$ 950.450 -- correspondente à somatória do custo dos procedimentos, conforme a tabela do Sistema Único de Saúde (SUS) -- para serviços prestados no prazo de seis meses, visto que foi feito em caráter emergencial. No entanto, a Prefeitura informa agora que não foi possível iniciar os serviços devido a presença da pastilha doada no local que, além de não poder ser utilizada, impediria a entrada de uma segunda fonte radioativa.

Durante os trâmites para a ativação do serviço, a Vigilância Sanitária teria orientado tecnicamente que não podem haver duas fontes radioativas no mesmo espaço e interditou as salas até que a pastilha doada seja retirada do local. Apenas com a saída desta fonte radioativa é que a empresa contratada poderá transportar os seus equipamentos para dar início ao serviço. De acordo com o município, atualmente estaria sendo buscada uma solução técnica e logística para o caso, uma vez que há regras para transporte e armazenamento desse tipo de dispositivo.

Enquanto esta questão da fonte radioativa não se resolve, a Secretaria da Saúde afirma que fez gestões para que a empresa contratada possa dar início aos atendimentos em sua sede própria, no bairro do Vergueiro. Para que isso seja autorizado, teria sido solicitado aos órgãos competentes uma alteração de credenciamento do serviço -- atualmente autorizado apenas para realização nas dependências da Santa Casa -- para a unidade externa da empresa contratada. No momento, estaria sendo aguardada uma definição deste pedido.

A Prefeitura já teria disponibilizado ainda um consultório na Santa Casa para a triagem dos pacientes. Atualmente, 50 sorocabanos fazem radioterapia pelo SUS e a empresa teria capacidade para iniciar imediatamente o tratamento de 30 pessoas. O município afirmou que todos os esforços estariam sendo empregados pela Secretaria da Saúde para que o atendimento contratado comece o mais rápido possível.

Não é mais solução

Na época da chegada da pastilha, em fevereiro deste ano, o secretário da Saúde, Rodrigo Moreno, comemorou em nota "a conquista para que o atendimento volte a ser integralmente prestado em Sorocaba, sem precisar enviar os pacientes do próprio município para outras cidades".

O dispositivo chegou a Sorocaba após meses de negociações, mas a fonte doadora nunca foi revelada, sendo dito apenas se tratar de outra unidade de saúde do interior de São Paulo. Sorocaba não tem uma máquina pública de radioterapia para o atendimento de pacientes com câncer desde novembro de 2016. Uma parte dos pacientes era atendida em Sorocaba por meio de um convênio do Estado com a Nucleon e a outra passou a ser encaminhada para outras cidades.

O problema ocorreu porque a pastilha de cobalto que a máquina da Santa Casa utilizava teve a vida útil encerrada e não havia recursos para adquirir outra. Chegou a ser anunciado que um hospital de Santos doaria o dispositivo, mas a informação foi negada pela própria instituição. Em fevereiro o município recebeu, finalmente, a pastilha doada de outro local. A reportagem não conseguiu contato com representantes da antiga e nova diretoria da Irmandade para comentar o caso.

Cnen

A reportagem questionou a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) sobre o destino da antiga pastilha desativada da Santa Casa e se há tratativas no órgão para o transporte do dispositivo doado, mas não obteve resposta até a finalização da reportagem.

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